26 abril 2010

Da Galega ao Campo de Lapiás da Granja dos Serrões


Pois é Trincas, numa volta realizada em 2009 já tínhamos ido de Belas até ao Campo de Lapiás da Granja dos Serrões e a vontade de lá voltar tinha ficado. A paisagem é diferente de todo o resto por onde já andámos, parece que entramos num pequeno jardim do paraíso.


O local é classificado, tem cerca de 50ha e é acessível pela N 545, sendo o relevo é típico das regiões calcárias. Os que têm curiosidade sobre o que deu origem àquela paisagem tão característica podem procurar informação na Net, existe muita. Resumidamente, o que deu origem àquela paisagem é o facto de o calcário, que é uma rocha sedimentar, ser formado predominantemente por carbonato de cálcio e de este ser solúvel nas águas da chuva que contêm dióxido de carbono. Estas águas aproveitam as fracturas na rocha para se irem infiltrando e escavando cada vez mais a rocha (processo de de carsificação). Isto não acontece de igual forma em todas as rochas, umas são mais duras que outras, estão mais sujeitas à erosão dos elementos. São estas rochas mais teimosas, que resistem ainda hoje naquela paisagem, formando monólitos espectaculares e constituem o chamado campo de lapiás, onde vegetação também ela especial se desenvolve. Estes campos de Lapiás são também observáveis em Negrais e na costa da Boca do Inferno até ao Guincho.


E foi com este espírito de descoberta que lá partimos às 8h da manhã. Os Três Cavaleiros da Galega e su Dama (D. Filipa), o Hugo (bem vindo) e a minha pessoa. O que não estávamos à espera é de apanhar uma valente tareia, mais de 1.100m de acumulado e quase 47Km com lama, pedras que nunca mais acabavam e uma chegada depois das 2h da tarde. A lama era de tal forma que a meio fomos lavar a biclas numa estação de serviço. A minha, coitada, quando chegou chiava por todo o lado – não havia réstia de óleo naquela transmissão.

Começando pelo principio. O percurso foi delineado na cabeça daquela personagem mítica “O Pirex”, ser de cultura gastronómica e ciclistica inigualável, que todos estimamos, mas com duvidosa capacidade de traçar um percurso no Google Earth.


Logo no inicio ele, O Pirex, como achou que a volta era curta, em vez de ir directo ao destino levou-nos a uma volta por uma pistas da Galega por onde eu nunca tinha andado. Um cão da zona também achou aquilo estranho e atirou-se com toda a matreirice ao Pirex que, num acto de bravura, se atirou a gritar para o chão, não por medo ou terror, é claro, mas para preparar um contragolpe mortal.


E foi assim que fomos para a Venda-do-Pinheiro, e se começou a subir, subir e mais subir. Mas caros Trincas, o convívio era bom, o dia estava fabuloso e a paisagem era magnífica. Não havia subida, lama ou pedra que pudesse abalar o prazer que era estar ali. Eu que já fiz muitas voltas por ali só tenho a dizer que passei por algumas das zonas mais bonitas de sempre nesta região. O pessoal da Galega andava a esconder estas paisagens (tirei poucas fotos mas sei que o Pirex tem muito mais).




A coisa lá se fez em grande estilo, por vezes a ter de inventar percursos pois o tipos da Google são uns incompetentes e não têm os caminhos actualizados, mas sempre à espera de chegar ao nosso objectivo – o campo de Lápias. Aqui ficam algumas fotos deste local mágnifico.





O pior foi o regresso. O calor já apertava, o Google não ajudava e a lama também não. O Hugo que já não pedalava à algum tempo teve um regresso algo doloroso, a Filipa dizia que a queríamos matar, o Tuga mandava um bitaites ao Pirex a ver se ele não inventava e eu, que não tinha levado abastecimento para uma prova daquelas, estava esganado com fome.




Ainda fomos à NASA cá da terra a ver se nos davam orientações, sem sucesso.

Foi mais uma volta daquelas que não se esquecem. Valeu bem a pena. Grande abraço ao Pirex pelo percurso e aos restantes pela companhia.





6 comentários:

Anónimo disse...

Apesar dos bitaites terem sido ignorados, valeu o companheirismo, a volta e as paisagens.
Hugo aparece, não desistas.

Trinca tuga

Pirex disse...

grande volta não JT? por acaso a coisa nem correu tão mal assim. Olha fiquei motivado para preparar, finalmente, o Caldas-Malveira. com ida de comboio e volta neste esquema. Toca a deitar os olhos ao google á procura de ligações :)

Abraço e grande post. Estas é que valem a pena.
Abraço
Pirex

Férias disse...

Pessoal, é verdade, não andava à mais de um mês e meio, não esperava um regresso tão pesado mas adorei, ainda durante o dia de hoje me vinham à memória as cores, os cheiros os sons desta volta fantástica.
Por mim repetia pra semana!
Tuga fica descansado que não é esta voltinha que me faz parar

Férias disse...

Pirex, tou nessa!

Anónimo disse...

Bem .... parece um poeta a escrever o post!
Está "cinco estrelas"!
Abraço,
Tiago

João Tremoceiro disse...

Pirex tu andas é a esconder ao Brites alguns recantos da Galega.
Já da outra vez que fomos aos Lápias ele tinha mais que fazer e não foi. É triste, cada um tem os Alpes que merece.
Ontem encontrei o Brites e está com um ar de satisfeito que não consegue parar de rir, o idiota.
Brites para o ano, tenha eu pernas, já combinei lá em casa, tiro uma semana de férias e também vou com vocês.