10 dezembro 2007

Em Sintra com os putos...

Mais um fim-de-semana mais uma voltinha, e como ando numa de variar rumei a Sintra mais o Trinca Ramos. Para nos guiar iam o Soares e o Alex (lembram-se do Trinca Seta?) que à última se baldou e ficou a dormir.
Gulosos como somos estacionamos o mais perto possível da piriquita para, no regresso, nos abastecermos de travesseiros. Esta decisão custou-nos, nada mais, nada menos, do que 11km a subir até aos Capuchos por entre um nevoeiro serrado. O resultado foi uma valente dor de pernas e claro ficámos sem saber onde estávamos.

Depois de alguma indecisão seguimos um trilho coberto de enxertos de acácia rumo a… bem… rumo a nada! Não fazíamos ideia de onde andávamos, os olhos confundiam o nevoeiro com o embaciamento dos óculos, mas teimosamente pedalávamos para cima. Trincadas algumas centenas de metros encontramos 3 companheiros que se prontificaram a percorrer os cerca de 300m que nos separavam dos Capuchos. Um dos rapazes é mecânico na Decathlon, o Tiago, negociou a bike nova ali, naquele momento, conseguindo um desconto de 200€.

Estava no cruzamento dos Capuchos a tentar convencer o Soares e o Tiago a subir o Monge quando caiu um anjo a meus pés! Quer dizer, não foi bem um anjo, foi um puto (com o devido respeito) que guinou o guiador em cima de uma poça de lama e acabou por cair mesmo à nossa frente. Este incidente serviu de pretexto para meter conversa e perguntar por onde seguir a volta – “onde é que há uns singletracks para trincar?” – a resposta foi dada por um pequeno de 11 anos montado numa Trek visivelmente desproporcionada. “Sigam-nos vamos para lá agora, os nossos pais vão por outro lado” e nós fomos.

O singletrack é o dos Portões, cerca de 3km de rasganço por entre vegetação, lama. Pedras e muita curva, um mimo. Os putos estavam como que a brincar no quintal, e eu a andar por onde mais gosto. Segui apressado o ritmos deles, sempre a 15/25 km/h, põe, tira, trava, curva, acelera … adorei!

Reagrupamos numa subida e os papás juntaram-se para fazermos outro singletrack alucinante com raízes, lama e pedra nas curvas, vegetação densa e zonas muito rápidas. Os putos seguiram à frente sempre a rasgar e eu atrás deles mordia-lhe os calcanhares, foram mais uns 3 km de diversão, já não via nada, recordo-me de sentir os ramos das árvores a zunir nos meus ouvidos e a fazerem constantes razias a quando da nossa passagem, um dos putos gritava “vamos a 30”. Foi espectacular sentir a adrenalina dos putos, como se passasse para mim também.

Antes da despedida, outro single muito rápido, com muitos saltos e alguns sustos, no final encontrei o meu amigo João, um vadio que conhece bem aquelas paragens http://vadiosbtt.blogspot.com/ . Enquanto trocávamos impressões, senti um certo ardor na canela, olhei para baixo, misturado com a lama um lenho vermelho vivo testemunhava a passagem por aqueles trilhos alucinantes.

Antes de entrar no betuminoso desci vertiginosamente até Montserrate, a dada altura fixei os olhos no conta-quilómetros, registava 48km/h levantei a cabeça….AHHHHH estava em cima de uma curva bem fechada, travão a fundo e o susto ficou para trás.

Quando cheguei ao carro já mal conseguia andar, nem coragem tive para levar o travesseiro, que ardor IRRA que dói mesmo. Em casa entreguei-me aos cuidados da minha menina que ficou impressionada com o dói dói do papá.

Enfim, dói um pouco, mas a recordação da velocidade com que fizemos aqueles singles apagam tudo, agora é só sarar para curtir no próximo Domingo.


O melhor amigo do BTTista


Boas Trincadelas

2 comentários:

João Tremoceiro disse...

Que inveja. Assim é que vale a pena, com sangue e tudo.

E o Tiago, chegou vivo?

Anónimo disse...

Cheguei e bem vivo !
Sabe como costumo dizer ... as pernas tb contam !