26 novembro 2007

Por entre montes e tortas...

Os ponteiros do relógio aproximavam-se lentamente das nove horas da manhã, havia uma certa azáfama no parque de estacionamento, o frio (7ºC) não me deixava mostrar o entusiasmo de ali estar, depois de duas semanas de paragem estava de regresso aos trilhos, eu e o Trinca Doctor que ainda recupera de uma valente queda. Chegavam ciclistas a todo o instante, a concentração era num sitio apelativo, mesmo em frente à Casa das Tortas de Azeitão, houve quem sugerisse tomarmos um pequeno-almoço suplementar antes da partida mas, estranhamente, a ideia não foi acolhida pela malta.

Estavam quase todos a postos menos eu e o Paulo, a vontade não parecia ser muita e a cara do Brites não entusiasmava. Estava espelhado no seu rosto, que valente tareia nos ia dar. Incitados pelo Pirex, Boss, Nuno e João montamos as bikes e lá iniciamos o passeio.

O Brites começou logo por testar a malta e, nem de propósito, subida para aquecimento até ao primeiro miradouro donde avistamos grande parte do trajecto a percorrer. O dia estava lindo e com muito boa visibilidade o que nos permitiu desfrutar de vistas maravilhosas.

Os primeiros km foram feitos a um ritmo elevado, algumas subidas, estradões para rolar e, como a malta se estava a sentir bem, toca a esticar que ainda há muito para ver. A paisagem é realmente magnífica e conquistou todo o grupo. Depois de espreitarmos algumas quintas e percorremos um trilho lindo junto a uma ribeira, subimos quase a pique até uma igreja. A cara de felicidade do Brites era indisfarçável, a malta desmontou a meio e ele lá em cima a gozar à grande. O GPS do Boss levou-nos por umas descidas e mais uns trilho quase planos até chegamos à tal igreja onde nos deslumbrámos com a paisagem, rapidamente esquecemos o esforço dispendido minutos atrás.

Finalmente as descidas apareceram a miúdo, seguia acelerado lado a lado com o Brites quando, receoso, exclamei “olha o cão!”. Foi irreal. O cão começou a correr na nossa direcção resmungando “au, au” e, o Brites, montado na bike, cara a cara com o animal, respondeu num tom que até a mim me assustou “AUUU, AUUU”, o cão não desarmou logo e o frente a frente continuou por mais uma dúzia de metros até que o Brites soltou um último “AAAUUUU” empurrando o animal para dentro de casa. Que episódio! Tudo a rir e o pobre animal encolhido perguntava ao seu dono “que raça é aquela? ‘”

O Paulo, que recupera de uma lesão na clavícula, já não tinha forças para pedalar (mas pedalar não é com as pernas?!! :-D), O João em grande ritmo acompanhava o grupo e o resto da malta lá ia seguindo no encalço do Brites monte acima.

Compra um tipo uma bike com uma suspensão XPTO, travões potentes e depois quando devíamos fazer os trilhos a descer, não senhor, obrigam-nos a subir!!! Para a próxima invertemos o gráfico.

Para o final ficou o trilho dos moinhos, uma montanha russa ao longo de uma crista com vistas sobre um vale fértil a poente e a península de Setúbal a nascente, 7 km de puro prazer até às desejadas Tortas de Azeitão.

Arrábida, um lugar a explorar mais vezes!

Até lá, boa trincadelas…

4 comentários:

João Tremoceiro disse...

Como sempre, o nosso reporter está imparável. Na bicla e no teclado.

Parabéns Hugo.

Pirex disse...

Foi pena não ter filmado a cena do cão. Ficava um espectáculo no youtube. Enfim pode ser que o Pai Natal saiba o que é uma oregon cientific...

Que bem que se está no campo, Hugo.

Parabéns

raul marques disse...

Não posso deixar de dar os parabéns ao Hugo pelo excelente relato do percurso. A dada altura senti-me a acompanhar vos...

Um abraço!

PLnauta disse...

não foi nada disto. É favor ler a versão de alguém que tb lá esteve.