13 outubro 2008

De volta Emduro

A paragem dos últimos meses quase que me deixou louco, por isso, a febre do regresso veio com toda a força. Era só mais um fim de semana em Lagos mas a bike tinha de ir comigo. De véspera, tracei o caminho utilizando o GoogleEarth, memorizei ao pormenor todo o trajecto durante cerca de 30 segundos e ultimei os preparativos para transportar a bike no tejadilho do carro.


A chuva que caiu na madrugada de sexta-feira ameaçava arruinar os meus planos, a manhã estava desagradavél. Ainda a recuperar de uma tremenda constipação, adiei a partida para a tarde.
O objectivo era ligar a Praia da Luz a Sagres por qualquer coisa que se parecesse com um trilho , sempre junto à costa e a trincar terra, o ponto de referência seria o recorte feito pelas ondulações e ventos que assolam o barlavento Algarvio e as indicações das gentes locais. Como já surfei a maior parte destes picos tinha uma noção da sequência das praias e dos caminhos que percorrem estas falésias.


Abalei de Espiche pouco depois das 15h30 em direcção à Prainha, ai segui o trilho pela Ilha dos Polvos, Fontainhas, Porto Dona Maria e Cama da Vaca, o trilho é agradavél, convida a rolar rápido e a dar alguns saltos, aparece uma ou outra parte mais técnica em que um pouco de concentração é o suficiente para ultrapassar as escadas formadas pelas rochas.


A ondulação de 0.5m de sueste que entrava na pacata praia de Burgau acolhia alguns bodyboarders, observei por meros instantes as sua manobras e segui viagem serpenteando as estreitas ruas desta localidade.

Entrei num trilho exigente, paredes de terra e pedra solta erguiam-se à minha frente, só a certeza de encontrar uma descida louca logo de seguida me davam forças para pedalar, segui por este carrocel até à linda praia de Cabanas Velhas. Parei um pouco para me refrescar, dava os primeiros sinais de fraqueza e só a leve maresia que salpicava a minha face me ajudou a recuperar tão depressa. Que loucura de descidas e que dureza física e técnica de subidas, BTT vertente Enduro em todo o seu esplendor.


O tapete em alcatrão guiou-me por algumas centenas de metros até me deixar na descida em terra batida da Boca do Rio, altura para pedalar a fundo por estradão, primeiro vertiginosamente e depois claro, a um ritmo pacato até á Praia da Salema.

Esta parte era a mais difícil em termos de orientação, por isso, consultei o GPS ( Gente que Pesca Sardinha) locais que prontamente me indicaram um trilho.

Sem saber tinha o receptor mal configurado, não marquei correctamente as coordenadas e, todo o trilho que escolhia pelo meio da densa vegetação acabava após uma descida de 70 ou 80 metros. Andei nesta lotaria cerca de 20 minutos altura em que encontrei duas fufas germânicas que me indicaram o trilho certo e, curiosamente, ficava muito acima das nossas cabeças.
Ganhei folgo e ataquei a subida energéticamente, andei aos S mais uns minutos e finalmente avistei a Figueira, agora sim sabia onde estava. Embalei numa descida louca até ao caminho principal, depois foi só apanhar o singletrack da praia, sim e é o único acesso à praia, 250m de grande BTT.

A hora já ia avançada e o ciclo computador marcava 25km, estava na hora de regressar a casa. Retornei pela N125, 13km a trincar alcatrão para ajudar a relaxar os músculos. Sagres ficará para a próxima, talvez acompanhado!!

Até lá, boas trincadelas!

3 comentários:

JT disse...

Com a vontade que eu tenho de andar de biclicleta estas imagens deixam-me com água na boca.

Grande volta Hugo.

Anónimo disse...

Miúdo,

"Cinco estrelas"!
Para a próxima sou pretendente a alinhar. Abraço,
Tiago

Pirex disse...

Grande Férias,

guarda a próxima para quando eu já puder andar para ir tb. Grande post, já tinha saudades da tua escrita. Eu já passei férias na cama da vaca e vi logo que aquilo tinha potencial

Abraço

Pirex