21 setembro 2008

Um passeio de sonho no Gerês

Com as duas bikes em cima do tejadilho da carrinha do Brites e as malas bem arrumadas, passavam poucos minutos das 19h00 quando nos fizemos à estrada para uma jornada de cerca de 430 quilómetros. Horas antes, já o pessoal da Galega tinha partido para as terras do Gerês, devidamente apetrechados (como mais tarde eu viria a constatar).

E porque o Pirex nos deu um conselho sábio para evitar o trânsito louco de Sexta ao final da tarde, também nós decidimos ir pela A8 até Leiria e depois seguir pela A17 até Aveiro. Por volta das 11 da noite, parámos em Braga para comer qualquer coisa antes de entrarmos nas lindíssimas Terras de Bouro.

Embora estivesse escuro, o ar que se respirava e a tranquilidade de serra dava de imediato a entender que a viagem já estava a valer a pena. Começamos a perceber que a manhã nos ia reservar um espectáculo deslumbrante.

Ao chegarmos ao Parque Campismo da Cerdeira, por volta da meia-noite, tínhamos à nossa espera o Pirex, e Nuno e o João, bem jantados e principescamente instalados (acreditam no que vos digo, aquela malta trata-se mesmo bem).

Quanto a nós, fomos “obrigados” a montar a tenda junto da entrada do parque, porque depois das 11 da noite já ninguém pode entrar com o carro ou montar arraiais dentro do recinto campista. Seja como for, o mais importante era podermos descansar umas horas antes do grande desafio que se avizinhava.

Depois de uma noite (bem) fria, levantámo-nos por volta das 7 e 15, com um dia magnífico e um cenário impressionante, a uma altitude próxima dos 700 metros, dominado por altas montanhas. Estava então na hora de nos juntarmos ao pessoal da Galega. A partir daí, foi a “excitação” normal de quem está a poucos minutos de iniciar uma grande aventura.

Pequenos-almoços tomados, equipamentos vestidos e bikes afinadas, começamos a rolar por volta das 9h00/9h30.

Os primeiros minutos foram feitos no asfalto, tendo depois o grupo entrado num dos estradões mais bonitos que já vi, com a azul cristal das águas da barragem Vilarinho das Furnas e o verde da vegetação, não se vendo qualquer vestígio de que o Outono está a chegar. Pelo meio, pudemos também apreciar alguns vestígios da arquitectura romana.
Foram vários quilómetros a pedalar de forma tranquila, com cada um de nós a deslumbrar-se com a vista. Estava claro que o dia ia ser longo, com tantas paragens para fotografias, sobretudo feitas pelo fotógrafo de serviço, o Brites. O filme, esse, esteve a cargo do realizador Pirex.

Após quilómetros de beleza ímpar onde pudemos acompanhar o serpenteado do Rio Homem, chegámos à localidade fronteiriça de Portela do Homem. Entrámos em asfalto, e Espanha estava ali tão perto. Da história, ainda restam os postos de alfândega, que aliás inspiraram a uma fotografia de grupo.

Já no lado espanhol, e após alguma insistência na procura da entrada no trilho certo, começámos a descer por cima de um tapete verde ainda molhado pelo orvalho, mas rapidamente voltámos à estrada de alcatrão e percebemos que o nosso trilho estava mais à frente. E vá-se lá imaginar…afinal, era a subir!

Caros Trincas, digo-vos que a partir daí foram muitos quilómetros a subir. Quando refiro muitos, devo estar a falar em mais de 10km, para chegarmos as 1100 metros de altitude. Para nós os cinco foi um recorde, já que nunca ninguém tinha andado a pedalar tão alto em cima de uma bike.

Com toda a modéstia, penso que fomos uns heróis ao subir aquelas serras do Gerês da parte espanhola. Porém, a vista que se nos deparou quando começámos o percurso descendente valeu o esforço.

Estávamos a cerca de 1000 metros e pela frente tínhamos autênticos maciços cuja imponência é indescritível. A grandeza era absoluta e havia apenas duas opções: ou continuávamos num estradão que se mantinha à mesma altitude e contornava os picos, ou então, optávamos pela descida que assumia a forma de single treck.
Felizmente, o caminho definido pelo Pirex apontava para a segunda opção e foi neste momento que as nossas vidas mudaram enquanto bttistas: a partir de agora temos o antes e o depois “do” single track (desculpem a carga dramática, mas efectivamente nunca vi nada assim, ao ponto de termos de parar para descansar os braços e as costas).

Necessitámos de cerca de 1h30 para descer em velocidade um single track de pedras e cujo um dos lados tinha um curso de água deslumbrante, com quedas de água e piscinas naturais. Porém, apreciar a natureza só com as bikes paradas, de outra maneira era queda perigosa na certa.

Passada essa aventura, e após uma paragem para retemperar forças, veio logo outra descida com um piso ainda mais apropriado a velocidades elevadas.

Por volta das duas da tarde, chegávamos a uma localidade famosa pelas suas características termais. O Pirex e o Brites foram os primeiros a experimentar a água de 45 graus de temperatura, devido à actividade vulcânica na região, depois o Nuno seguiu o exemplo. Quanto ao João, molhou apenas os pés. Eu fui o menos aventureiro, estando mais ocupado a beber umas bebidas frescas.

Após o divertimento, era preciso voltar a Portugal, mais concretamente à Portela do Homem. Sem grande surpresa, o percurso foi quase sempre a subir, com os últimos quilómetros a custarem a todos, mas mesmo assim o Brites e o Nuno desfrutarem das amoras gigantes que encontraram no caminho.

Já no final do percurso de serra e antes entrarmos no alcatrão para passar o posto fronteiriço, ainda tivemos que carregar as bikes à mão, num esforço que naquela altura já era homérico. Finalmente, atravessámos a “fronteira” e estávamos de regresso à Portela do Homem.

A partir daí foi a descer pelo asfalto, em jeito de descompressão, tendo depois o grupo apanhado novamente o caminho ao longo da barragem Vilarinho das Furnas, cruzando-nos com vários bttistas que estavam a dar o seu passeio de fim de tarde. Quanto a nós, tínhamos ainda uma subida antes de alcançar o parque de campismo.

Eram cerca das 17h30 quando chegámos ao ponto de origem, cansados, mas realizados pela aventura que acabáramos de viver.

Para terminar esta aventura da melhor forma, o Pirex, com a ajuda do Nuno e do João, (Brites desculpa lá, mas tu, tal como eu, parece-me que não pescas nada de culinária) fez um jantar que, além de delicioso, proporcionou um belo momento de convívio e de camaradagem.

Ao escrever este texto, confesso que estava cansado, mas totalmente realizado, e na esperança de que na próxima Primavera os Trinca-Pedras possam regressar em maior número ao Gerês, desta vez para explorar o lado português. Alexandre Guerra

* Este post é da responsabilidade de Trinca-Alex

4 comentários:

Pirex disse...

Apenas quero dizer que adorei este fim de semana na companhia destes bons amigos. De facto as coisas simples ás ficam ficam cheias de significados.
Mais uma vez tive um prazer enorme de partilhar umas pedaladas com este grupo.
Espero que todos os que foram tenham apreciado todos os momentos que passamos, desde o vinho que bebemos á chuva que regou o jantar.
Alex, a tua nova menina é um maquinão...
Vamos começar a planear Santiago de Compostela???? :)

Abraço

Pirex

JT disse...

Já vi que a coisa foi em bom.
Para que raio é que o Alex quer uma bicla nova?
Abraço a todos e espero poder ir na próxima.

Férias disse...

Rapaziada, como era de esperar a aventura foi cinco estrelas. Ontem regressei finalmente às pedaladas, vou começar a a treinar afincadamente para vos acompanhar já para a semana e para concretizar o meu maior sonho, fazer o caminho francês de Santiago.
Abraço a todos:

Brites disse...

Pessoal,

Só vos digo que foi um passeio inesquecivel.

Mas para lá do passeio, e não menos importante, ficam os momentos de companheirismo.

Um ESPETACULO!!!

Aos que não puderam ir, vejam as fotos logo abaixo do Post do Alex.

Um abraço.

Brites