03 novembro 2012

Assalto à Freita

Finalmente!
Finalmente convenci, não só, os Trinca Pedras mas também os Almondas a ir até Albergaria a Velha!
Finalmente fomos à Serra da Freita!
Finalmente dei uma coça ao pessoal!
Finalmente fizemos mais de 80km e 2300m de acumulado num só dia!



A ida até à Serra da Freita já tinha sido adiada por mais de uma vez, sempre por razões ligadas a estas andanças do BTT. Desta vez ninguém queria pensar nisso e, sei, que no íntimo de alguns o receio de assumir a ida era grande.
O trajeto foi preparado com base no Geo Raid 2010, a maratona de Arouca e algumas dicas do BTTAlberga, ficou um mimo de 70km e 2200m de acumulado.

Embarcaram neste desafio os Trinca Férias, Pirex, Tuga, Gadget, a Tânia,  Boss, Ramos,  PLNauta, Rui, Alegria, Tudo  também chamado Cão Reporter que convenceu o Cão Pédia, Guia e Etiope.


Montamos base de acampamento em Albergaria a Velha na sexta feira e fizemos reserva por duas noites. De manhã reunimos tropas em São Pedro do Sul, local escolhido para a partida desta aventura. A volta começou com os atrasos da praxe, bicicletas que não travavam, outras que não andavam, pneus vazios ou muito cheios, gps que indicam  para a direita enquanto outros indicam para a esquerda.
Tudo se resolveu em uma hora e meia e, para castigo, trepamos em alcatrão por 2km até entrarmos na volta propriamente dita.

Rolamos em direção a Lourosa em estradão e depois em singletrack por entre castanheiros, sem dúvida o trilho mais bonito da volta. O sol brilhava e a paisagem deslumbrava, o pessoal estava entusiasmado, Fomos devorando km, visitando aldeias típicas de serra até ao sopé da maior dificuldade do dia, uma subida de cerca de 4km em plena Serra Arada/Pisão. A subida era dura, pedra e mais pedra, curva que escondia outra curva e assim adiava a chegada ao topo. Com mais oi menos dificuldade todos atingiram o topo e puderam desfrutar de uma vista deslumbrante das serras que ladeiam São Pedro do Sul, Vouzela e Aveiro.

A subida fez moça no ânimo do grupo cujo objetivo principal era chegar à Frecha, para isso faltavam ainda cerca de 20km sempre acima dos 1000m de altitude. Metade desta distância foi feita em trilhos de pedra num sobe e desce até à belíssima aldeia de Manhouce, umas das mais características da região. Foi o local ideal para um abastecimento de líquido.








Restabelecidos os líquidos, foi altura de trilhar por um caminho pedestre de pedra com 1.5km de extensão. A Serra é fria e dura e torna as gentes destas terras mais fortes e resistentes que os demais. Embebidos desse espirito e anestesiados pelo cheiro da casta “morangueiro” fomos desfrutando caminho pela serra.




Já andávamos á cerca de 5horas e havíamos criado uma cumplicidade estranha com a Serra. O vento arrefecia-nos o corpo e também a alma, quem poderia extrair algo desta terra? Uma imensidão estendia-se á nossa volta, serra e mais serra, pedras e mais pedra, vegetação nem vê-la mas, a vontade de permanecer ali era imensa. Seria toda esta atmosfera que conferia a esta aventura o título de épica?!






Antes de entrarmos em pleno Arouca GeoPark atravessamos os portões que circundam a aldeia comunitária do Gestoso, um exemplo de como sobreviver nesta zona. Os campos agrícolas são viçosos e o gado confunde-se com a paisagem!





As pernas clamavam por descanso e o estômago alimento, altura ideal…Frecha da Mizarela! Um acidente paisagístico espetacular. Uma queda de água com cerca de 60m de altura coloca este ponto do país no topo da Europa.


Eram 15h e restavam cerca de 3,5h de sol. Decidimos rolar o mais rápido possível até chegarmos  à  Coelheira, isso implicava rolar em alcatrão. Foi isso que fizemos assim que cruzamos a aldeia da Albergaria da Serra. Antes ainda fomos brindados por belos espelhos de água que pintam esse belo planalto, depois, rolamos por uma cumeada junto às eólicas e podemos ver um enorme espelho ao fundo, o mar da Barra de Aveiro!




Com o olhar nesse quadro de rara beleza descemos até Candal sem perceber o que nos esperava. Já com 55km nas pernas teríamos de “penar” durante 5.5km para trepar dos 700m até ao 1050m e atingir a Coelheira, era a última subida do dia mas a vontade dividia o grupo.

Chegados ao topo nova reunião de grupo sobre o caminho a seguir, com o olhar posto entre uma pequena subida e uma reta facilmente se chegou a uma decisão! Foi sem duvida a decisão acertada pois era a que mais próximo seguia do track original. Seriam 15km de descida até S. Pedro do Sul.




Os primeiros 10 km foram alucinantes, uma inclinação brutal, curva contra curva, paisagem deslumbrante sobre a Serra de São Macário, o corpo a gelar pela velocidade atingida e a adrenalina a subir mesmo antes de a noite cair. Nada melhor para terminar uma jornada épica do que uma descida a condizer.



Depois de tomarmos banho nos bombeiros da vila regressamos ao acampamento  onde um repasto de leitão assado à moda da terra nos ajudaria a recuperar animo e forças!



Como anfitrião regozijo-me por ninguém se ter magoado na volta e por ter proporcionado uma aventura de respeito.

A região de Aveiro tem muitos trilhos para percorrer e, o quartel general, está sempre montado!

Até lá… Boas Trincadelas!

4 comentários:

Leonel Alegria disse...

Foi uma experiência muito boa: a aventura, o desafio físico da distância e da altimetria; o companheirismo, o convívio, os leitões, o cozinheiro, a pasteleira, a boa disposição, o pequeno-almoço, o banho nos bombeiros, as paisagens, o excelente anfitrião, os últimos km a descer sempre a abrir... gostei muitíssimo. A repetir. Abraços.

João Pires disse...

Excelente post. Ao ler estas linhas senti cada dor muscular, que sofri nessa aventura muito digna "...O animal a sofrer...".Obrigado Férias já fiquei com o treino de domingo feito.

Abraços Tuga.

Paulo Lopes disse...

Peço desculpa, mas não me lembro desta volta ;)

eheh

Nuno Vilhena disse...

Deliciosas linhas que acabei de ler....obrigado Hugo

Abraços