13 janeiro 2014

Há dias que o melhor é não programar!




Há dias em que o melhor é não programar!

A incerteza sobre as condições meteorológicas para domingo e a preguiça que o inverno incute ao pessoal, levou a que o grupo se dividisse em três, os que ficaram na cama, os que foram descobrir a zona do Cabo Espichel e eu e o Tiago que iriamos para Sintra. Todos decidiram bem!

Apanhei o Tiago de carro para nos dirigirmos à serra de Sintra e, no primeiro cruzamento, olhando para o cinzento do céu disse “bah, vamos para Monsanto”. Estacionamos no lugar de sempre, a diferença é que hoje estávamos sós, nem Trinca Pedras nem ninguém! A preguiça era para já a nossa única companhia. Lá montamos as bikes e seguimos pra a zona Sul. Este é o quintal do Tiago por isso seria ele a decidir a volta.

Percorridas algumas centenas de metros tudo mudou e, quando digo tudo, é mesmo tudo. O Tiago deixou de ser guia e deixamo-nos ir pelas finas linhas que seguiam à frente dos nossos olhos. Singletracks  e mais singletracks de um castanho ladeado por verde vivaz levaram-nos por 6km até Algês local onde, por mudança de planos, nos iriamos encontrar com o Trinca Bip Bip e Trinca Lights.

Já não andava por Monsanto há um ano. Fiquei um pouco preocupado com o que por lá vi, trilhos e mais trilhos, singletracks transformados em vias rápidas de duas faixas, linhas para a esquerda, para a direita, de cima para baixo, daqui e dali, enfim, a marca de que este parque se tornou um espaço de massas e com todo o mal de que infelizmente daí advém. São (tal como eu) os BTTetistas de fim de semana, os novos corredores de Trail, os pais, os filhos, as mães, tudo a desbravar terreno! Temo que este caminho leve a medidas radicais por parte dos responsáveis do parque e já implementados em tantos outros por essa Europa fora.

Como a cidade de Lisboa tem muito para oferecer, seguimos pela ciclovia junto ao rio em direção ao Terreiro do Paço e Campo Grande para voltarmos a entrar no parque em Campolide. Chegados ao Cais da Colunas sugeri uma incursão por Alfama, a sugestão foi prontamente acolhida e lá fomos de viela em viela por Alfama até ao Miradouro das Portas do Sol. Que bela é a cidade vista dali, “e do Miradouro da Senhora do Monte”? diz o André. Sobe e sobe em paralelepípedo até à Graça.

Do BTT passamos à cultura, uma visita às vilas operárias de Lisboa aquelas que no inicio do século passado acolheram os operários desta cidade. A descrição dos factos e enquadramento foi repartida pelo André e pelo Nuno. Convivi anos ao lado de um património que não sabia existir. Visitamos a Vila Sousa, Vila Berta e a Vila Estrela d’Ouro, um património em vias de rejuvenescer e que contam muito sobre a cidade e as sua gentes.

Descemos pelas ingremes ruas da Penha de França até à Praça do Chile e tomamos a nova ciclovia da Duque D’Ávila . As esplanadas estavam desertas mas a ciclovia repleta. Sobrevoamos a cidade em paralelo ao Aqueduto das Águas Livres até ao verde de Monsanto. Num ápice deixamos o centro da cidade e enveredamos pelo coração desta mancha verde que ladeia Lisboa.

Percorremos os  singletracks que costumam ser a delicia de cada volta no parque mas desta vez a trepar, foi novidade e teve a sua piada.

Terminámos a volta com 30km de coisas novas e com a vontade de repetir com todo o grupo, com mais trilho e mais cidade.

Até lá…boas pedaladas








01 janeiro 2014

Bom ano em 2014

Nada como começar o ano a pedalar.
Um abraço a todos e que este ano traga muitas oportunidades para pedalar juntos.
Bom ano
Pirex

23 dezembro 2013

Um domingo a partir pedra.

Os amigos são assim!
Os amigos, convidam-nos para a sua festa maior. Preparam tudo para que seja um sucesso. Contam connosco. Tomam conta de nós.
Ontem respondemos ao convite dos amigos do Btt Almonda. Em especial o amigo João Gonçalves, mais conhecido por cão Guia. E a festa preparada tinha como objectivo pedalar em conjunto no seu quintal.
Foi um dia duro. Acho que nos levantamos todos por volta das 5.30 da manhã, para estar nos carros e a caminho uma hora depois.
O ponto de encontro estava marcado para a localidade de Liteiros, lá para os lados de Torres Novas. E foi assim, mais coisa menos coisa, que o grupo arrancou por volta das 08.30. Esta mole humana, era composta por elementos do Btt Almonda, Trinca-Pedras e Tuaregues.
O percurso era surpresa. Mas segundo rumores, tinha uma primeira parte já conhecida dos elementos locais. Esta parcela impunha a ascensão ao alto da Serra dos Candeeiros. A marcha foi se realizando por patamares de forma pouco agressiva e estendida pelo decorrer dos kms. A notas mais importantes para este parte foram o frio a rondar os 2 graus e que gelavam as pontas dos dedos. Quer das mãos como dos pés. Nem as poças de água escapavam ao gelo. A nota seguinte foi para a paisagem, marcada pelo calcário e sobrado num contraste magnífico. Que o digam as fotos. Houve também direito a algumas rotundas. Acho que ninguém se livra delas e já fazem parte destes eventos. Outro nota em género de recomendação, se queres comer depois duma volta de muitos kms, prepara-te antes… ou então esquece a volta e aparece só para comer. Ninguém te leva a mal e até te agradecem por não terem que carregar contigo.
Chegados ao topo, fizemos algumas paragens. Umas para perceber que a “jipose” é uma doença lixada e que ataca quem têm mais olhos que barriga (por acaso a vitima até estava com uma barriga a condizer, mas isso agora não interessa nada). As outras foram para ver a paisagem marcada por acidentes geológicos de grande imponência e para assistir uns caramelos que compram pneus xpto e que depois …puf, valem tanto como os rascas.
Reagrupados, fomos ao chamamento do Guia. A mensagem era: “vamos descer, quem tiver vertigens não olhe para a esquerda e desmonte se for caso disso”. Sábias palavras as de quem tem experiencia. Eu cá não percebo nada disto. Foi de facto um trilho complexo que requereu muito trabalho. Era um single track que começava por ascender por uma boa distância, com muita pedra em forma de degrau e cujo piso estava escorregadio. Havia que ter mãozinhas e aprender com os mestres. Reagrupamos no topo do trilho e voltamos a esperar. Alguns diziam que viria um helicóptero, ou falavam num corpo a rebolar pela encosta, mas eu não estava focado nas tricas. Queria mesmo era dar corda aos sapatos. Por dois motivos (e não aqueles do por tudo e por nada) porque queria descer aquela cena toda e esperar que não desse nenhum tralho e porque estava esganado de fome e estava uma magnífica sopa de carne à minha espera. Foi quando o Guia me disse, anda que temos que ver se encontramos o trilho junto ao muro. Aquilo parecia uma palavra mágia e pensei “é agora, vê se me apanhas” e mandei-me por ali abaixo com o Zé Luis (acho que não me engano no nome) na minha pegada. Voltamos a parar para novo reagrupar e voltamos a descer mas agora por um caminho mais aberto e cujo piso até estava muito bom. Terminado o declive, foi momento de relaxar e apreciar a descarga de adrenalina que nos inundava o corpo. Tenho cá o feeling que um tal de Alex Guerra e um outro João Tremoceiro iam gostar disto. Temos pena, fica para a próxima.
Finalmente estava chegada a hora do morfes. Petiscos à Susana era o seu nome e comida esteve fabulosa. O problema é comer ás 3 da tarde com direito a tudo, incluindo vinho e depois voltar a montar as burras. Já mencionei a sopa, mas volto a tocar no assunto para dizer que comi pouco. 3 pratos. Mas deve ter havido por lá alguns lambões…
Depois disto fomos postos fora do restaurante não pelo dono, mas pelo guia. Oh João isso não se faz, fica mal correr com os convidados da mesa… Mas havia um propósito. Ele queria à força toda nos obrigar a pedalar para nos mostrar mais algumas perolas que estavam guardadas para o final. O grupo dividiu-se pelos que precisavam regressar cedo e os que estavam ali por tudo e por nada eh eh eh.
O meu problema foi o nevoeiro. Tinha a visão turva e estava um pouco preocupado com o trilho. Lama fina e muito calcário costumam dar contactos próximos com o chão. Mas sabendo que trazia o mestre atrás de mim e com aquela preocupação “paternal” com um discípulo iam ditando: “devagar se não cais” e eu… cumpri… que remédio…
Chegamos então a Mira D´Aire e a partir daqui foi pedalar pela estrada até Torres Novas. Acabamos já por volta das 18.00 não sem fazer mais uns 2 kms por terra e com recurso à lanterna do Brites e outra do Zé. O meu registo foi de 81kms com uma média de 13,27 kms/H.  Muito bom para uma coisa destas.
A seguir as formalidades habituais, banhos, jantar (não vou dar pormenores porque estas coisas ficam para quem lá esteve e não tem nada a ver com pedalar)
Em resumo uma volta formidável onde tudo acabou bem e todos se divertiram. Eu quero agradecer publicamente ao João Gonçalves e seus companheiros pelo convite e espero um dia destes ter o prazer de vos receber no nosso quintal.





























































































































Votos de um grande natal e que 2014 traga muitas voltas como esta em que tudo acabe bem e não hajam percalços. Claro que é extensível às vossas famílias.
Um abraço

Pirex