16 outubro 2011

Rota do Marquês

Uma volta interessante mas que ficará melhor se unir à Maratona de Oeiras de 2005


































Tentar fazer isso para depois acabarmos em beleza com churrasco aqui em casa ...





Até lá...boa Trincadelas!!

15 outubro 2011

Caminho Português de Santiago - Guimarães (Caminho Central) II


2ª etapa Valença - Padrón


O dia começou cedo, diria até, muito cedo. A alvorada nos albergues ocorre antes das 7h da manhã e às 7h30 está tudo a arrancar para mais um dia de jornada. O estado é um misto de preguiça e ansiedade.
Deixamos partir os mais afoitos e dirigimo-nos à pastelaria mais próxima para encher o depósito, ou como se diz por aquelas paragens, o bandulho.
Já de barriga cheia passamos a ponte sobre o Rio Minho e entramos em terras espanholas pela bela vila de Tui. O seu casario medieval sobre o verde do Rio Minho não deixa ninguém indiferente, nem mesmo aquela hora da manhã.
Aqui em Tui o caminho torna-se mais envolvente, quem nos vê passar reconhece-nos como peregrinos e deseja-nos “un buen camiño”. As marcações também mudam e às habituais setas juntam-se agora as vieiras e os marcos que assinalam a distância até Santiago de Compostela.






Seguimos em ciclovia pela Virxen del Camino uma localidade que antecede um dos pontos míticos da peregrinação, a Ponte das Febres. Reza a lenda que San Telmo ali padeceu numa das suas pereginações. Uma placa incentiva os que por ali passam a pedir um desejo. Acreditando ou não o ritual lá se vai cumprindo.


Desfrutamos de belos trilhos arborizados antes de rolarmos pelo inferno de Porriño, uma zona industrial que de agradável não tem rigorosamente nada.
Passado este calvário o caminho serpenteia zonas rurais e de pinhal, ora em asfalto ora em terra batida. Antes da subida para Mós, paragem num rincón delicioso para beber um cafezinho e descansar um pouco dos 25km percorridos.


De Mós a Redondela foi um ápice com direito a uma descida com uma inclinação seguramente de 40%, algo que de bike é muito divertido mas que, a pé, provoca umas dores musculares que ainda as tenho na memória.
Estávamos sensivelmente no final do primeiro terço da etapa e agora começava a doer. O Tiago estreava um novo selim mas teve de o cobrir com algo mais fofinho para ter algum conforto adicional.


Se por um lado a vista sobre as Rias Baixas deslumbra, as fortes subidas empenam. Mas o caminho é mesmo assim, com altos e baixos. Desfrutamos das belas vistas sobre Vigo, e da sua luminosidade única que nos acompanhou vários quilómetros antes de descermos vertiginosamente até Ponte Sampaio, um local que marca a história espanhola por ter sido aqui que nuestros hermanos travaram as invasões francesas.


Trepamos por mais uma calçada romana e mais tarde paramos para almoçar em Pontevedra, o repasto foi umas deliciosas tapas de boquerones y pimientos piquillo. O corpo parecia acomodar-se ao descanso mas tivemos de contrariar tal estado e seguimos por caminhos rasgados por doces ribeiras.






Rolando por entre vinhas e milheirais, em amena cavaqueira sobre a vida, chegamos ao nosso destino, Caldas de Rei. Esta pacata vila termal é um ponto de paragem obrigatório. As múltiplas propriedades das suas águas ajudam a relaxar. Descansamos os pés numa bica que brota água a uma temperatura a rondar os 42ºC, aliviando as dormências que já se tinham instalado.





Como o sol ainda ia alto decidimos avançar pelo menos até Valga (O Pino) e assim encurtar a jornada de segunda-feira. Quando nos preparávamos para arrancar chegaram os nossos companheiros de Foz Côa http://www.bttfozcoa.blogspot.com/ que acabavam aqui a sua jornada. Trocamos algumas impressões sobre os caminhos percorridos até ai e despedimo-nos até uma próxima vez.
Caldas de Rei, para além das suas termas, têm também marcas romanas ancestrais como uma muito bem conservada ponte que serve de despedida a esta vila. Rejuvenescidos por esta paragem rumamos em boa velocidade até o recém inaugurado albergue de O Pino.



Com receio de arriscar fazer mais quilómetros e dormir na rua, pedimos à senhora para confirmar disponibilidade no albergue de Padrón. Os peregrinos de bicicleta não são prioridade nos albergues face a que chega a pé, mas nesta altura do ano os albergues não enchem e lá nos deram luz verde para mais 12km de caminho.


Assim que saímos de O Pino enveredamos por uma bela descida que nos fez lembrar Sintra, pena ser tão curta. Mais duas ou três subidas dignas desse nome e depois foi descontrair até Padrón. A etapa de 80km foi afinal de 92km!!



Padrón é um local muito importante por ter sido aqui que atracou o barco que trouxe os restos mortais do discípulo. A verdade é que esta pequena vila é mais conhecida pelos seus pimentos, uma variedade de pimento em que uns picam otros no!
Jantamos num animado restaurante, pimentos cañas e pasta foi a ementa, um momento animado que serviu também para balanço e celebração pelo caminho já feito.



3ª etapa Padrón – Santiago Compostela


Alvorada pelas 7h para percorrer os últimos 22km, o corpo não reagia aos 15ºC matutinos e pedalamos a uma média de 10km hora. Apesar de ser dia de semana os aldeões destas belas povoações graníticas partilhavam da nossa disposição, seria por ser segunda-feira? Talvez!


Em Milladoiro e, antes de iniciarmos um belo singletrack, assinalamos a última paragem desta aventura. Ainda faltavam 5km e por isso havia que desfrutar. Tempo para BTT do bom singletrack abaixo até entrarmos no perímetro urbano. Era altura de vencer a última subida de acesso ao centro histórico.








Á chegada à Praça Obradoiro explodi de alegria e emoção, os olhos brilhantes fixaram as altas torres da catedral e tudo o que me rodeava, talvez por isso fui felicitado por outros peregrinos enquanto percorria em círculos a praça. Não conseguia parar, era como se não quisesse que aquele momento tivesse fim. A verdade é que não tem! A verdade é que mal acabamos este caminho planeamos logo o próximo.




Acabamos mais fortes, mais conhecedores, mais serenos, o nosso Eu agradece mas pede-nos mais, mais outra jornada.


Até lá…boas trincadelas !!

vê estas e outras fotos desta viagem em:


se quiseres pedir a credencial do peregrino:


para outras informações sobre o caminho:



14 outubro 2011

Caminho Português de Santiago – Guimarães (Caminho Central)

Os Preparativos


Já há imenso tempo que o caminho me chamava, depois de o ter feito a pé este ano, era altura de o fazer de bike. Amigos de longo data, eu e o Tiago, juntamo-nos para esta etapa que era, para nós, mais do que uma travessia em BTT.



O caminho não é mais do que uma resenha da vida. Está lá tudo, as expectativas, as crenças, as certezas e as dúvidas, os momentos dificeis e os mais agradavéis. As alegrias e as desilusões, os amigos e os que surgem. As derrotas e as glórias.

Preparamos a logistica com alguma antecedência, o que levar, qual o percurso, em quantos dias, requisição de credenciais de peregrino e, deixamos para a véspera o meio de transporte até Guimarães, local escolhido para iniciar o caminho. A limitação de tempo e sujeição a horários acabaram por influenciar a decisão, acabamos por optar pela viagem de carro em deterimento do comboio. Os pais do Trinca Ramos foram uma ajuda preciosa pois levaram-nos à partida e recolheram-nos à chegada.

Ajudados pelo S. Pedro e pelo excelente tempo de Outono com temperaturas entre os 25®C e os 30®C, optamos por levar uma mochila com 5/6 kg com o minimo indispensavél para a bike e para o ciclista/peregrino em vez de carregarmos alforjes com 15kg. Esta foi uma boa decisão pois permitiu-nos abusar nas descidas e, descidas rápidas é coisa que não falta neste caminho!
Arrancamos sexta feira ao fim do dia e fomos prenoitar à Pousada da Juventude de Guimarães onde fomos superiormente recebidos.

1ª etapa Guimarães- Valença

Depois de tomarmos um pequeno almoço reforçado na pousada, demos inicio à aventura serpenteando as bonitas ruas de Guimarães que se prepara para ser a Capital Europeia da Cultura. As setas que marcam todo o caminho, tiraram-nos do meio urbano e levaram-nos para o meio rural, onde os costumes são bem tugas e estão enraizados. Aqui a vida rola mais devagar, é a vida pela vida. Os cheiros são mais intensos, o campo é tratado com carinho e a palavra comunidade ainda faz sentido.
Fomos rolando por entre aldeias e caminhos rurais que nos levaram às Taipas onde a requalificação da zona ribeirinha incentiva as pessoas a darem um novo rumo às suas vidas, mais saudavél e mais próximo da comunidade.






Passados alguns quilometros a 1ª grande dificuldade, uma parede por entre eucaliptal que, sem nos apercebermos, nos conduziu ao Hotel da Falperra já a caminho do Bom Jesus de Braga. Para nosso contentamento e já depois de vencida esta dificuldade descemos a rampa até à Sé de Braga onde recolhemos o segundo carimbo.


A saída de Braga foi algo confusa mas lá acabamos por seguir as marcações e levar com a primeira estupada, uma meia duzia de quilometros pela nacional que não nos agradou. A cerca de 17km de Ponte de Lima seguimos a Via XIX, uma via romana que conserva grande parte do seu solo em calçada e que nos proporcionou o primeiro momento de grande diversão, descidas rápidas por entre povoados e regadios que tornam verdes estas fertéis terras minhotas.








Chegamos a Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal pela hora de almoço. Em virtude da etapa que tinhas para a tarde trocamos o Arroz de Sarrabulho por hidratos de carbono e saladas.
Aqui convergem dois caminhos, o Central e o Mediaval, por essa razão encontramos os primeiros peregrinos, quem estava a pé chegava ao fim de uma etapa, quem estava de bike estava a meio, a maior parte vinha do Porto.
O caminho daqui para a frente tornou-se mais verde e belo, trilhos fantásticos para BTT por entre vinhas e milheirais, diques que refrescam a paisagem e alguns singletracks para abanar o esqueleto.




Já com alguns quilometros sem ver ninguém fomos chamados por um grupo de 3 Bttistas do Foz Côa que animaram a festa. Trocamos alguns galhardetes, tiramos um boneco em conjunto e lá seguimos caminho com o aviso do que ai vinha, a Lambruja.
A Lambruja é uma terra simples e bonita que, para nos deixar sair dali, nos obriga a uma subida surreal. São quilometros de subida em pedra cuja unica maneira de a fazer é com a bike pela mão e em alguns troços às costas. Obviamente que chegámos ao topo todos amassados e com necessidade extra de uma dose de gel. Como depois de uma grande subida vem uma grande descida, dali até Rubiães foi sempre a rasgar por entre pedras e singletracks. Uma delicia.









De Rubiães até Valença foi um passeio em que aproveitamos para conversar mais um pouco. À noite ficamos no Albergue de São Teotónio onde conhecemos um casal açoreanos simpatiquissimo que se preparava para iniciar o caminho a pé. O albergue está muito bem equipado, podemos tomar banho, lavar roupa e cozinhar pois a cozinha está totalmente equipada.


Fomos para os beliches com as galinhas, era altura de descansar e recuperear forças. Os primeiros 98km provocaram algum desgaste e no dia seguinte tinhamos planeado 80km até Caldas de Rei.






continua...